Oh, Minas Gerais… A Solução é Simples e Antiga: Culpe o Cachorro!

junho 13, 2026 Por Borogodó 0

Onde abriga toda gente,
Com os direitos iguais,
Oh, terra de Tiradentes!
Querida Minas Gerais!

Oh, Minas Gerais,
Oh, Minas Gerais,
Quem te conhece não esquece jamais,
Oh, Minas Gerais

E depois do absurdo que foi a criação desta lei contra cães, realmente não devemos esquecer jamais que foi em Minas Gerais.

A Lei nº 25.165/2025 trouxe restrições severas para cães como Pit Bull, Dobermann, Rottweiler e até mesmo o nosso Fila Brasileiro.

Mais uma vez, o Brasil parece escolher o caminho mais fácil:

Apontar para os cães.

Mas uma pergunta precisa ser feita:

O problema está na raça… ou na criação?

Quando um cão se torna agressivo, quase sempre existe uma história por trás:

  • Falta de socialização
  • Maus-tratos
  • Guarda irresponsável
  • Reprodução sem critérios
  • Falta de controle dos proprietários
  • Ausência de fiscalização efetiva

Nenhum filhote nasce odiando pessoas.

Nenhum cão escolhe ser criado para intimidar.

Nenhum cão compra a própria coleira.

Nenhum cão escolhe o ambiente em que vive.

Tudo isso é decisão humana.

Onde estão os estudos?

Talvez a pergunta mais importante de todas seja:

  • Quais estudos técnicos embasaram essas decisões?
  • Foram ouvidos médicos-veterinários especializados em comportamento animal?
  • Foram consultados pesquisadores da área de bem-estar animal?
  • As entidades cinófilas nacionais participaram do debate?
  • Foram apresentados números que demonstrem que proibir determinadas raças reduz acidentes?

Porque leis eficientes deveriam ser construídas sobre dados.

Não sobre medo. Não sobre manchetes. Não sobre percepções.

Até hoje, não existem estatísticas nacionais amplamente reconhecidas que apontem o Fila Brasileiro como uma das raças responsáveis pela maioria dos ataques graves registrados no Brasil.

Se esses números existem, a sociedade tem o direito de conhecê-los. Se não existem, estamos legislando sobre percepções, e não sobre evidências.

E O FILA BRASILEIRO?

O Fila Brasileiro não é apenas uma raça. É parte da história do Brasil. É patrimônio da cinofilia nacional. É uma das poucas raças genuinamente brasileiras reconhecidas internacionalmente.

Durante décadas, criadores, estudiosos e apaixonados trabalharam para preservar suas características, sua funcionalidade e sua identidade.

Reduzir toda essa história a um simples rótulo de “cão perigoso” é ignorar a realidade da raça e sua importância para a cinofilia brasileira.

RAÇA NÃO EDUCA CÃO

Quem educa é o proprietário. Quem socializa é o proprietário. Quem contém excessos é o proprietário.

Quem responde pelos atos do cão é o proprietário.

Punir cães por sua aparência é o caminho mais fácil. Educar pessoas é o caminho mais difícil. Mas é também o único caminho que realmente funciona.

Um padrão preocupante

Infelizmente, Minas Gerais não está sozinha.

Nos últimos anos, diferentes estados e municípios têm discutido ou proposto medidas semelhantes, sempre focadas em determinadas raças.

O problema é que a solução quase sempre começa pelo cão e raramente pelo ser humano.

  • Pouco se fala sobre criação Responsável.
  • Pouco se fala, sobre Posse Responsável.
  • Pouco se faz para combater o abandono.
  • Pouco se faz para combater o comércio clandestino de cães.
  • Nada se fala sobre educação dos proprietários.

E quando o foco sai das causas e vai apenas para as consequências, o resultado dificilmente resolve o problema.

💭 Se os cães pudessem falar…

“Não fui eu quem escreveu a lei.”

“Não fui eu quem escolheu minha raça.”

“Não fui eu quem falhou na minha educação.”

“Não fui eu quem decidi como seria criado.”

“Por que estou sendo condenado antes mesmo de fazer algo errado?”

“Será que amanhã alguém vai me julgar apenas pela minha aparência?”

“Será que as pessoas sabem realmente diferenciar uma raça da outra?”

“Ou basta eu parecer forte para ser considerado culpado?”

🐾 A verdadeira questão

  • Cães devem ser julgados pelo seu comportamento.
  • Proprietários devem ser responsabilizados pelos seus atos.
  • Políticas públicas devem ser baseadas em evidências.
  • E leis que afetam milhares de animais e famílias deveriam nascer do diálogo com especialistas, pesquisadores, veterinários, entidades cinófilas e a sociedade.
  • Confundir aparência (ou raça) com comportamento nunca foi solução.

E nunca será.

PROIBIR RAÇAS OU EDUCAR PESSOAS?

Essa é a pergunta que Minas Gerais precisa responder.

Porque quando uma sociedade deixa de analisar comportamentos para condenar aparências, todos perdem.

Perdem os cães.

Perdem as famílias.

Perde a cinofilia.

Perde a ciência.

E perde a própria justiça.

Oh, Minas Gerais…

Quem te conhece não esquece jamais.

E depois desta lei, realmente não esqueceremos jamais. Oh Minas Gerais.